O grupo de ransomware World Leaks publicou mais de 200 mil arquivos roubados da Tata Electronics, gigante indiana de componentes eletrônicos que fabrica peças para Apple e Tesla. Os dados estão disponíveis na dark web desde pelo menos 10 de junho e incluem documentos confidenciais das duas empresas, e-mails internos, registros de eventos e cópias de passaportes de funcionários, incluindo estrangeiros. A Tata confirmou o incidente à Reuters nesta segunda-feira.
A Tata Electronics é uma das principais parceiras de manufatura da Apple fora da China. A empresa monta iPhones na Índia e responde por cerca de um terço de toda a produção indiana de iPhones da Apple. O restante é feito pela Foxconn.
O grupo também fabrica componentes para a Tesla. A expansão da Tata no setor é parte central da estratégia do primeiro-ministro indiano Narendra Modi para transformar o país em uma potência de manufatura de eletrônicos.

O que foi vazado
Os arquivos publicados pelo World Leaks somam mais de 630 GB. Uma busca pelo termo “Apple” dentro do banco de dados retornou 181 arquivos e pastas. Entre eles, há um documento de 52 páginas com marcações proprietárias da Apple que descreve padrões de inspeção de qualidade para componentes de placas de circuito de iPhones.
Algumas pastas têm nomes como “com.apple.factorydata” e fazem referência a especificações de materiais. Parte dos arquivos tem rodapés com a frase “este documento contém informações proprietárias e confidenciais da Apple Inc.”
Já uma busca por “Tesla” retornou documentos que parecem incluir especificações de fabricação e um documento de montagem datado de maio de 2025. Uma das pastas é identificada como “NV36 Chargeport Controller – North America”, uma referência a componentes de uma versão atualizada do SUV Model Y.
Outro arquivo, descrito como “segredo comercial”, contém desenhos relacionados ao projeto Highland – nome interno conhecido para o sedã Model 3 reformulado. Os arquivos da Tesla também carregam marcações que os descrevem como “confidenciais, proprietários e segredos comerciais da Tesla Inc.”
Como os pesquisadores descobriram o vazamento
Dois pesquisadores de segurança analisaram os dados para a Reuters. Rajshekhar Rajaharia, pesquisador indiano que já assessorou a polícia em casos cibernéticos, confirmou que os arquivos contêm e-mails internos, registros de eventos cobrindo vários anos e passaportes de funcionários. Rakesh Krishnan, o segundo pesquisador, disse que os dados já estavam acessíveis na dark web desde pelo menos 10 de junho.
A dark web é uma parte da internet que não aparece em mecanismos de busca comuns e só pode ser acessada com programas específicos. É um ambiente frequentemente usado por grupos criminosos para vazar ou vender dados roubados.
O que a Tata e a Apple disseram
A Tata Electronics confirmou o incidente em comunicado enviado à Reuters. A empresa disse que identificou o ataque “algumas semanas atrás” e acionou protocolos de resposta imediatamente. Segundo a nota, as operações não foram afetadas.
A empresa não quis comentar sobre o pedido de resgate. Uma fonte familiarizada com o caso confirmou que a Tata recebeu uma demanda financeira dos criminosos, o que é comum nesse tipo de ataque.
A Apple informou a uma fonte próxima ao caso que estava investigando o vazamento e que uma “análise completa estava em andamento”. A empresa não respondeu oficialmente aos pedidos de comentário da Reuters, enquanto a Tesla também não se pronunciou. A Tata informou funcionários de suas operações de montagem de iPhones sobre o vazamento na semana passada, segundo outra fonte do setor.
Quem é o World Leaks
O World Leaks é um grupo de ransomware que já reivindicou ataques anteriores, incluindo uma invasão à Nike. Ransomware é um tipo de ataque em que criminosos invadem sistemas, roubam ou bloqueiam dados e exigem pagamento para não divulgá-los ou para devolver o acesso.
O grupo não respondeu aos pedidos de contato da Reuters. A agência não conseguiu verificar de forma independente a autenticidade de todos os arquivos publicados.
Não é o primeiro problema da Tata
O vazamento ocorre em um momento delicado para a empresa. A Tata já enfrentou um ataque ao seu grupo britânico Jaguar Land Rover no ano passado, que provocou uma interrupção de seis semanas na produção.
A empresa também enfrenta investigações na Índia sobre suposta contaminação de terras agrícolas próximas a uma de suas fábricas de componentes para iPhone, no estado de Tamil Nadu.
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