A localização do porta-aviões Charles de Gaulle foi revelada depois que um marinheiro usou o aplicativo Strava para registrar suas atividades físicas no convés da embarcação francesa, conforme noticiou o Le Monde na última quinta-feira (19).
O caso aconteceu na semana passada e na ocasião o navio estava a noroeste do Chipre, a cerca de 100 km da costa da Turquia, quando o tripulante compartilhou os dados de seus exercícios, registrados em um smarwatch, com o app de corrida. A presença dos militares na região tem relação com a guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã.
Colocando a tripulação em risco
De acordo com o jornal, o tripulante do porta-aviões nuclear da França possui um perfil público no Strava. Dessa forma, qualquer pessoa com acesso à plataforma pôde ver os dados compartilhados por ele e foi assim que a reportagem descobriu a localização do navio.
- No último dia 13, o oficial da Marinha francesa enviou ao app os registros dos pouco mais de 7 km de corrida, percorridos em quase 36 minutos, incluindo os dados do GPS de seu relógio;
- Comparando essas informações com imagens de satélite da região, na mesma data, o jornal confirmou que a embarcação de 262 m de comprimento estava mesmo na área;
- Pelo perfil do marinheiro apelidado de Arthur (nome fictício), foi possível descobrir, ainda, que ele esteve em Cherbourg (França) e Copenhague (Dinamarca) no mês passado;
- Outros perfis de tripulantes também compartilharam seus dados no app, alguns com fotos das atividades, do convés e da paisagem, igualmente revelando a posição do Charles de Gaulle.

Embora a missão do porta-aviões não fosse um mistério, já que a passagem pela região havia sido anunciada no início do mês, o compartilhamento do posicionamento em tempo real representa riscos no contexto do conflito atual. Recentemente, bases francesas foram atacadas pelo Irã.
Nessas ofensivas, um soldado foi morto e outros seis ficaram feridos, depois de um ataque com drones direcionado à base localizada no Iraque.
Questionado sobre a descoberta da localização do navio por meio do app de corrida, o Estado-Maior das Forças Armadas da França disse que a divulgação desses dados “não está em conformidade com os regulamentos vigentes”. As autoridades disseram que tomarão “medidas apropriadas” para solucionar o caso.
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